Artesanato. Madeiras raras expostas no Centro Ciência Viva da Floresta

01-03-2011 a 30-03-2011
Na infância, Mário Antunes usava raiz de amieiro, “uma madeira muito macia” que lhe permitia moldar brinquedos à sua vontade. Aos 80 anos, a prática na carpintaria ajudou-o a dominar as características de cada espécie e combina diferentes tipos de madeira para obter os resultados pretendidos. “Não uso nada pintado. Quando quero dar cor, escolho as tonalidades mais apropriadas”, explica.
Pinho e oliveira estão entre as matérias-primas mais usadas, mas nas peças expostas destacam-se 24 pequenos pratos que são uma autêntica montra de madeiras, algumas das quais em extinção. “Cada prato é de uma espécie diferente, oriunda de vários continentes”, explica. Há espécies como o mucibo, que foi queimado até estar quase em extinção, em Angola. E outras madeiras raras vindas de Ásia e Brasil. “Alguns eram pedaços pequenos que tinha na carpintaria, outros pedi a colegas.”
Entre as peças expostas no CCVF estiveram relógios e molduras que resultam da combinação de tonalidades, assim como pratos com encaixes a duas cores. Um leque de peças variado, incluindo loiças e fruteiras, bancos e cadeiras, as medidas de alqueire antigamente usadas para cereais, jarras ou mealheiros. “Procuro que as peças tenham sempre alguma utilidade”, explica o artesão.
Barris de pequenas dimensões são, de todas as peças que faz, as que mais tempo exigem. Mas Mário Antunes pretende testar em breve um novo objecto que promete dar que fazer: “Quero tentar criar um candeeiro, mas é complexo do ponto de vista da segurança”. Quando deita mãos à obra, tem sempre uma ideia clara do que quer. “O artesanato desenvolve a mente e o físico. Estou sempre a mexer”, explica com um sorriso.
Adaptado do artigo originalmente publicado em
www.cm-proencanova.pt























