Conhecer e Cozinhar Cogumelos Silvestres de Primavera

29-04-2011
No dia 29 de Abril, pelas 21 horas, o Centro Ciência Viva da Floresta de Proença-a-Nova levou a cabo mais um café com ciência, desta vez com o tema «Conhecer e cozinhar cogumelos silvestres de Primavera».
Anabela Marisa Azul, investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra, que desenvolve a sua investigação em Taxonomia, Ecologia e Biotecnologia de Fungos, aproveitou a oportunidade para oferecer aos participantes o seu último livro, «Cogumelos do Paul da Madriz». E, com o seu livro como suporte, elucidou todos os presentes sobre os cogumelos e a sua diversidade na natureza, que continua a representar um desafio para os micólogos, pois existem imensas espécies por identificar e classificar.
A investigadora lembrou ainda aos mais incautos que os cogumelos, ao contrário da caça, são considerados propriedade do dono do terreno, pelo que se deve sempre solicitar a sua autorização para a apanha.
Os fungos encontram-se amplamente distribuídos na natureza e apresentam grande diversidade no que diz respeito à sua estrutura, fisiologia e ecologia. Muitos fungos alimentam-se da matéria orgânica morta, decompondo-a, e por isso se denominam sapróbios, mestres em reciclagem. Outros fungos estabelecem relações de simbiose com outras plantas e denominam-se micorrizas. Finalmente, há fungos que são parasitas, alimentando-se do seu hospedeiro e por vezes produzindo toxinas que podem ser fatais, em doses elevadas.
Alguns fungos, incluindo os cogumelos, produzem substâncias com actividade anti-oxidante, anti-inflamatória e até anti-microbiana, sendo utilizados no tratamento de doenças, como o cancro, a SIDA, a aterosclerose, a asma, artrites, etc.
Anabela Marisa Azul alertou para o facto de que o míscaro amarelo, outrora considerado um excelente comestível e consumido em todo o país, inclusive na nossa região, actualmente suscita muitas dúvidas sobre a sua comestibilidade, pois já ocorreram intoxicações graves em França e na Polónia, no final do séc. XX, algumas dessas intoxicações foram mesmo fatais. Na Espanha é considerado tóxico e é desaconselhada a sua apanha de todo.
Relativamente à gastronomia, os cogumelos constituem uma excelente fonte de proteínas, fibras, vitaminas e sais minerais. Num passado muito remoto eram temidos no Minho, mas considerados a carne dos pobres no Alentejo e nas Beiras.
Para a degustação, o produtor Pedro Capela, de Braga, trouxe-nos, da sua produção, portobellos, cogumelos de Paris (champignons), marrons e os que agradaram a todos pelo seu paladar, os shittake, que Pedro cultiva inoculando um tronco de carvalho, que mergulha em água durante 24 horas e após 12 dias estão preparados para a colheita e degustação. Os ingredientes simples, como azeite e alho com sal a gosto, foram suficientes para provocar diversos encores gastronómicos.














